“O grupo segue pela úmida e sombria estrada do bosque. Pelo
chão, as folhas secas, impregnavam o ambiente com ruídos que tornavam tudo
ainda mais dramático, deixando todos com uma incerteza do que estaria por vir.
Mas logo o suspense seria quebrado, mais que repentinamente quatro grandes
criaturas saltam a frente de seu caminho, sendo reconhecidos imediatamente pelo
druida como trolls da floresta, antes que tenham qualquer reação, outros dois
surgem à retaguarda. Ao mesmo tempo, o NPC que os acompanhava e havia
desaparecido surge, revelando-se como o feiticeiro que buscavam e está no
controle das criaturas.
-Como estão surpresos, eles agem antes. O feiticeiro usa a
uma magia para invocar...
-Mas Mestre, ainda estamos no primeiro nível...
-É, a vida é dura, melhor aprender desde já!”
Olá bravos aventureiros, infelizmente alguns jogadores teimam em pensar que o narrador nada mais é do que o grande inimigo do jogo. Para um iniciante pensar desta maneira não é muito difícil justamente porque o mestre é um jogador diferenciado.
Afinal é justamente o mestre quem cria as armadilhas, os
inimigos (e suas estratégias), cria os problemas do mundo de jogo e os NPCs mais
filhos da...
Claro que jogadores com um pouco mais de experiência (o
jogador, não o personagem) notam que o narrador está ali justamente para
colocar estas dificuldades, para tornar os desafios mais emocionantes, para que
no fim cada um dos presentes saiam com um sorriso de satisfação de ter vencido
uma grande empreitada e de ter dado um passo adiante no glorioso destino de seu
personagem.
Infelizmente, por vezes é o mestre que pensa da maneira
errada.
Acreditando que sua obrigação é derrotar os jogadores,
muitos mestres criam campanhas inteiras baseadas em seu sadismo e buscando
sempre o maior sofrimento para os presentes. Seja colocando inimigos poderosos
de mais, ou quebra-cabeças que somente tem uma resposta em sua cabeça. Mas na
opinião deste cavaleiro, o pior é quando o narrador cria um NPC mais
carismático e interessante que dos jogadores.
Quando o inimigo, ou mesmo um aliado que deveria ser o
personagem secundário, atrai para si todas as atenções, seja por seu poder,
seja por sua personalidade. Ofuscando os demais a mesa, o mestre tenta fazer
seu personagem tornar-se central e esquecendo que o jogo não é para ele.
Claro que é interessante utilizar, de forma dosada, um vilão
poderoso ou um aliado carismático, mas deve-se ter em mente que isto tem que
servir para instigar os jogadores e não o contrário. Os protagonistas são eles
e assim deve ser.
Nunca podemos esquecer da velha regra de ouro, o jogo tem
que ser divertido. Se você não traz diversão a sua mesa quando mestra, é sinal
de que deve mudar sua maneira de narrar, ou deixar para que outro jogador o
faça.

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